domingo, 18 de maio de 2014

O REALISTA E O POETA 17 05 2014

                          

Antenor e Aspásio eram amigos desde infância.
Praticamente se criaram juntos.
Nasceram na mesma rua, jogaram bola de gude e de meia juntos.
Eram muito amigos.
Criaram um código de honra no sentido de que a namorada de um jamais poderia ser cortejada pelo
outro e assim  a coisa foi bem entre os dois por longo período , até  quando tinham   30 anos de
idade.
Em algum  aspecto, todavia,  tinham que ser diferentes.
Antenor era um cara centrado, estudioso, fez faculdade de direito com D maiúsculo e se tornou um
bom  profissional, digno de respeito, ao passo que Aspásio vivia as custas  do pai.
Gostava de musica e  por viver lendo revistas em quadrinhos queria ser poeta.
O pai do Aspásio  não gostava nada dessa ideia maluca.
Como alternativa, diante dos reclamos do pai pensou Aspásio em   estudar piano.
O pai ficou mais furioso ainda  e argumentava que tocar piano era coisa de  maricas.
Aspásio, entretanto, insistiu  em ser musico e comprou, como sempre fazia as custas do pai, um
violão.
O pai enrubescia e vociferava  cada vez mais decepcionado  com ele.
Dizia que tocar violão era coisa de vagabundo.
Resumindo, Aspásio era um sonhador e, como tal enveredou pelas veredas da poesia.
O pai de Aspásio cada vez mais triste enquanto o pai do advogado cada  vez mais orgulhoso.
Essa situação não interferia na amizade dos dois,  porquanto o código de honra ,citado no início da
história,  nunca  foi quebrado.
De quando em vez  Antenor dava uma “ espetadinha”    no amigo pedindo para ele criar juízo, que
poesia  não dá futuro a ninguém .
Esses papos que um poeta não gosta de ouvir a não ser para criar uma  situação  que lhe desse
motivo para escrever.
Certa ocasião em um fim de semana, ambos, coincidentemente,  haviam brigado com as namoradas
e resolveram dar uma volta  na orla da praia que ficava a dois quarteirões de onde moravam para
espairecer    um pouco e esfriar as  respectivas cabeças.
Ambrósio, como sempre fazia, levava um lápis e um caderninho a tiracolo e seu inseparável violão.
Naquela época ainda não havia  Android(essas maquininhas de fazer doido) e dizia ele ao amigo
que agia assim  para  , caso pintasse alguma ideia, escrever, como sempre fazia, algum poema.
O amigo não gostava dessa ideia   mas  não contrariou o amigo.
E caminharam.........
Mais adiante se sentaram    em um banco na praia
“Fitando o horizonte
Em tarde de outono
Meio fria meio  quente
Anbrósio falou.
Eis que ambos veem um barco de pesca e um pescador em pé no barco pedindo socorro.
O barco balançava muito e o pescador caiu no mar
Antenor se levantou rápido e cutucou o amigo:
Está vendo!
O cara está se afogando, o mar esta um pouco agitado.
Corre ,    vamos procurar ajuda para salva o cara..
O salva-vidas, Corpo de Bombeiros, sei lá,  alguém  que nade
Ambrósio não perde tempo e rtesponde:
“Eu não nado
 Nada.”
E   sem se abalar continua escrevendo.
Antenor insiste:
Vai te catar, larga esse papel inútil e esse lápis , vamos salvar o homem....
Ambrósio escrevia , escrevia,   alheio a tudo o que se passava.
Antenor por fim diz:
O  que tanto escreve ?
Um poema.
Uma hora dessas....
Pega o papel da mão do amigo e lê:
“É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar.”
Antenor fica irado e aponta o dedo para o amigo e reclama dizendo..
És  maluco mesmo não vez que o cara está se afogando..
A água do mar não é doce é salgada paca..
E o mar não é azul, é branco...
Vocês, poetas veem o mundo cor de rosa com bolinhas amarelas (ou azul  com bolinhas cor de rosa).
E dizendo isso retirou-se     furioso.
Finalizando a estória:
O homem foi salvo  e   eles nem viram.
Antenor foi-se e Ambrósio continuou escrevendo..
Falando entredentes porque a sua camisa não tinha  botões:
“Esse meu amigo é muito realista
Não ve as coisas boas que o mundo
Põe a nossa vista
Muito pessimista
Vê coisas  ruins em tudo”

Depois desse incidente fala-se que nunca mais viram os dois amigos juntos.
.


sábado, 17 de maio de 2014

MINHAS PALMILHAS 17 05 2014

                        
Eu tenho duas amigas inseparáveis.
São as minhas palmilhas.
Ficam dentro de meu tênis.
Lá estão seguras.
Elas me acompanham sempre que saio.
O    tênis  já está bem velhinho mas  não abro  mão dele,  pelo menos  por enquanto.
Ele me é confortável.
Resistiu um pouco  minha companhia, no início,  quando era novo mas logo
se acomodou.
Minha mulher não sabe que tenho essas duas amigas.
Também não está nem aí para quem me acompanha quando saio.
Quando estou em casa meu tênis , acompanhado das duas  palmilhas,  ficam
embaixo da minha cama.
Não  ficam no armário.
Tenho receio de  que as palmilhas  se sintam desconfortáveis e com  falta de ar.
Um dia o tênis será  jogado  fora, quando eu  não precisar mais deles.
Minha mulher notará quando deles se desfizer  que por dentro está  molhado.
As palmilhas então serão notadas por alguém.
Minha mulher, entretanto,  nunca perceberá que  elas  estão com saudades
de nossos passeios.
Ela se perguntará:
Será que o falecido andou com esse tênis na chuva??

Mas não choveu esses dias!!!!!

domingo, 11 de maio de 2014

SAUDADES 11 05 2014

Já joguei bola de gude
Na calçada..
Nenhum transeunte ligava..
Peguei carona de bonde
E nunca cai do estribo
Andava não sei por onde
De bicicleta sem tranca
Bons tempos de antes
Bem diferentes de agora
A.... que saudades
dos tempos de outrora
Dói saber que não tem volta
Ah que saudades que tenho
Daqueles   tempos de antes..
Sem bala perdida
Com luz no horizonte

E esperança de vida...