sábado, 30 de janeiro de 2016

PERDÃO 30 01 2016

               
 Agora ela me culpa.
Persegue-me de dia.
Á noite perturba meu sono.
Diz que meus erros vieram de longe e é por isso que me  encontro neste estado.
Desconcentrado.
Inconformado.
Incomodado.
Destruído por dentro.
Agoniado.
Diz que fui negligente.
Incompetente...
Que não soube escolher as pessoas que iriam interferir em meu destino.
Ela não compreende que agi de boa-fé.
Confiei.
Desprendi-me.
Entendi e supus que o mal não avançaria tanto.
Não chegasse a esse ponto.
De me sentir profundamente desapontado.
Agora ela me culpa.
No fundo acho que ela tem razão.
Preciso voltar ao normal
Senão sucumbirei.
Preciso viver.
Para ver.
Até onde irei.




quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O HIPOCONDRIACO 26 01 2016

                
Tunico foi ao médico como o faz.

Desde tempos atrás.

Para se consultar e fazer exames.

Ele já é idoso mas aqui pra nós sofre de hipocondria.

O médico disse que ele tem uma saúde de ferro para a idade.

Enfatizando:

Você   é muito comedido.

Comedido nas bebidas.

Comedidos nas comidas.

Comedido nos prazeres sexuais.

Comedido    ...comedido.

Comedido em tudo.

Se soubesse como anda meu fígado   nem viria aqui.

Para sua idade você está muito bem.

Tunico cumprimentou o médico e saiu do consultório.

Desceu o elevador e quando já estava na calçada parou...

Estremeceu na base e falou para seus botões:

“To ferrado"

O médico disse que tenho saúde de ferro.

O ferro, através dos tempos enferruja.

O que será que ele quis, verdadeiramente, dizer????


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

PESADELOS 17 01 2016

               
 Perder o emprego?
Ser vítima de uma bala perdida?
O Brasil foi à   bancarrota?
Um motorista bêbado atropela-me na próxima   esquina?
Sonhos inquietantes.
Contudo meu maior   pesadelo seria perder minha namorada.

Ela é linda de morrer.
Por isso não tenho pesadelos.
E se os tenho, não me lembro.
Só sonho com    ela.
Vivo   o sonho   de uma vida plena e duradoura.
Sempre a seu lado.
Beijos, abraços e carinhos...
Amanhã, sábado, iremos nos encontrar.
As águas irão rolar.
No motel 5 estrelas da Barra da Tijuca.
Onde as paredes do quarto tremem   logo após trancamos a porta.
E rolamos no leito redondo do centro da Terra.
Que gira, gira, gira, sem parar...


O AMOR DE MINHA VIDA 20 01 2016

                  
Tu   és.
A mais pura e límpida água que vem da montanha.
Clara e  fresca.
A mais pura imagem que vem do Céu.
A mais bela mulher de grande   nobreza.
És tu mulher.
Que me ampara e anima.
És tu mulher.
Nenhuma outra é igual a ti.

MEDOS 20 01 2016

Perguntas se tenho medo?

Tenho sim mas meus medos são só meus.

Não revelarei meus medos   a ninguém.

São de  propriedade   privada (no bom sentido).

Registrei   direitos autorais   sobre meus medos.

Ninguém pode tocar em meus medos nem saber quais são.

São intocáveis.

Todas  as  pessoa tem medos.

Tem medo até de morrer.

Vejam só......

O que é mais certo nesta vida é a morte.

Ninguém escapa.

Transitamos, apenas, pela vida.


E olhe lá.

sábado, 16 de janeiro de 2016

O SALVAMENTO DA MINHOCA 16 01 2016

                  

E cá estou, de novo, à beira do rio tentando pescar.

Seguro de mim, na vã esperança de fisgar   um peixe, mesmo 

pequeno, no rio da esperança.

Minha minhoca chora ,  soluça e  pede perdão.

Diz-me que não fez nada para acabar daquele jeito.

Mas não há outra solução.

Sentado à beira do rio.

Rio da ilusão.

Entretanto, agora rio de mim mesmo.

Percebo que ele  está  poluído e  sem vida.

Envergonhado por ter nascido sadio e  triste e sem saber  porque 

os homens fizeram dele  sua latrina,   onde     depositam  seus   

dejetos,  decepções     e lamúrias.

Rio vermelho...vermelho de sangue e envergonhado.

Rio que morre enquanto   seu dono enriquece.

Eu, entretanto, continuo pobre e sem alimento pra minha alma 

sem incentivo para continuar vivendo.

Entregue às   minhas decepções e lamentos.

Resolvo desistir, então.

Digo pra minha minhoca:

Vamos pra casa.

Você está salva.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

ESCRITOR FRUSTRADO 15 01 2015

Hoje está um dia muito triste.
Qual é?
Um calor intenso lá fora.
Todo o mundo na praia desfrutando sol   escaldante e eu aqui, em frente
ao  meu PC com os  dedos gelados procurando   palavras, advérbios,
substantivos,    verbos e toda a sorte de letras misturadas na inexorável
intenção  de colocar pra fora meus sentimentos.
Uma merda.
Meus fantasmas saem dos túmulos de meu intrincado sistema cerebral
desfraldando bandeiras pintadas de vermelho, as  gavetinhas se abrem
uma a uma e não sai  nada a não ser um cheiro esquisito que vem  do
vizinho que  parece cozinhar um suculento pernil.
Acho que é suculento porque cheira muito alto.
Vou desistir.
Fritarei  um ovo ,  farei um sanduiche com um pãozinho qualquer  e
degustarei   a iguaria acompanhado de uma Coca na falta de uma  ideia
melhor.
Amanhã volto a sentar nesta mesma mesa em frente ao meu PC.
E a vida segue....
Aqui, dentro de casa  continua  frio.
Lá fora sol intenso.



sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A PAIXAO ABSTRATA 01 08 2016

                  
As noites   em que o céu está límpido e  sem nuvens são as 

minhas preferidas.

Saio sempre nessas ocasiões   para  encontrar-me com ela.

Temos algo em comum.

Ela não gosta de sair quando chove, nem eu.

Entretanto,    ficamos  à  vontade  em noites de verão.

Quando a natureza  permite contemplarmo-nos.

Olhos no olhos ,  envolvidos em ambiente de extrema  paixão.

Amor e sentimento pleno de   felicidade.

Como é bom   senti-la perto de mim.

Que contraste.

Embora estejamos longe um do outro.

Anos luz.......

É como se estivéssemos lado a lado.

O nome dela é Dalva.

Minha estrela favorita.

Morro de amores por ela.

Ela me anima e me ajuda a enfrentar um novo dia.

Quando o amanhã chegar.
 


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

A RESTAURAÇÃO 07 01 2016


 PRIMEIRO ATO


O poeta é maneta.

Só tem a direita.

E ainda toca corneta.

No quartel da ilusão.


Uma vez convidado.

Para evento marcado.

Em sua homenagem.

Adentra o salão.

Onde uma multidão.

O aguarda de pé.

Recebendo-o com pompa.

E satisfação.


Eis que,  de  repente.

Um apressado garçom.

Desastrado que era.

Derruba o poeta.

Que se estatela no chão.

O poeta então.

Cai de mau jeito.

Quebrando a outra mão.

A única que tem.

O poeta geme de dor.

Socorrido de pronto.

É  levado pra cura.

No hospital da cidade.
          

SEGUNDO ATO


Dois dias se passam.

E o poeta já em casa.

Recuperado mas triste.

Causa aflição.

A parentada geral.

Que procura solução.

Para que o poeta.

Continue   a profissão.

Que ama demais.

É  tudo o que faz!



Um irmão sugere.

A contratação.

De um especialista.

Ou mesmo   um alquimista.

Para ajuda-lo.

Em suas escritas.

E contratam um escriba.


Acreditam que com essa medida.

O  poeta não se sentirá.

Privado da escrita.

Poeta frustrado.

Sem seu ganha pão.

É poeta abatido.

Fica em solidão.

Não quer o poeta.

Se entregar ao vício.

privar-se do oficio.

       

FINAL


Dois anos se passam.

 São lançados 10 livros.

Do poeta em questão.

Obras robustas.

Grande aceitação.

Graças    à ideia do irmão.

Poeta   salvo.

É poeta vivo.

Restaurado e presente.