terça-feira, 2 de janeiro de 2018

GALINHEIROS PRIMEIRO E SEGUNDO ATOS 2 1 2018

Primeiro ato:

Moro no subúrbio do Rio de Janeiro, bairro de Marechal Hermes,

nos confins da estação da antiga EFCB, hoje servida pela

 Supervia, linha de trem mais modernizada, onde nasci, me criei, estudei e me

tornei  artesão.

Bairro pobre mais sossegado considerando o nosso Rio de Janeiro como está

nesse momento. “Sem ordem e sem progresso”.

Trabalho com artesanato, vivendo com pouco,

mas feliz.

A minha casa tem um quintal onde tenho um galinheiro

As minhas galinhas comem restos de comida e milho sem agrotóxico

Os ovos que elas põem são vendidos no local.

Sobrevivo de minha arte e desse pequeno lucrinho na venda de ovos no

bairro.

No meu galinheiro existe ordem.

As galinhas ficam empoleiradas em seus devidos lugares ao deitar à noite

Nenhuma toma o lugar da outra.

O galo manda de galo em seu espaço.

Os ovos que põem minhas galinhas têm claras  claras e gemas vermelhas, como

veem, de primeira qualidade.

Tenho um galo que controla e põe ordem no recinto anotando entradas e saídas

das mercadorias  em sua planilha e confere a receita obtida com a sua  venda.

José carroceiro passa por aqui todas as manhas para recolher e vender o

produto mediante uma pequena comissão em espécie, é claro.

Tudo funciona em perfeita ordem

Segundo ato:

Na  minha rua,   na parte mais alta o  meu vizinho  Teobaldo também

tem um galinheiro. 

Nem queiram saber como o ambiente lá é muito diferente.

Desorganização total.

As galinhas estão sempre a tomar o lugar das outras.

As que ficam na parte de baixo atacam as que ficam na  da parte de cima apenas 

para manter posição de destaque.

Não são alimentadas adequadamente, bebem muita agua, mas tudo de

uma vez e em um momento só  e comem umas os  o alimento das outras.

Teobaldo não consegue encontrar um galo que fique no emprego por mais de

uma semana

As galinhas agridem o galo que acaba deixando o emprego.

Banido pela desonra e ensanguentado e

Teobaldo não consegue se organizar.

O meio ambiente por ali mais parece um puteiro

Acho que existe uma semelhança entre o galinheiro do Teobaldo

e a cidade de Brasília , mais precisamente na Esplanada dos Ministérios.

Vou ficar por aqui .

Acho que já estou escrevendo demais ou estou meio desconsertado hoje.




   




O CIRCO 30 12 2017

       

O dono do circo está falido

Não há mais publico

O prejuízo aumenta

Os palhaços reclamam do salário atrasado


Os leões rasgam  e comem as lonas do circo por  desespero.

O dono do circo     se afoga em lágrimas.

Pensa em atear fogo ao circo e receber o seguro.

Mas raciocina, em teremos reais, que a seguradora irá investigar.  

Ninguém pode ajudá-lo.

Falta pão e alimento

Quanto mais divertimento

Senta na ponta da arquibancada e espera uma doação

Seu nome é Antônio da Silva Brasil
Endereço:
rua das Rosas
Bairro de Jardins número 2018
Cep desconhecido
Eis o quadro resumido
E a conclusão clara e objetiva
De um cidadão brasileiro
Pranteado e desiludido
Conformado e prostituido.