sexta-feira, 9 de novembro de 2018

MORADAS 11 09 2018


Nas sarjetas habitam

os pobres

os drogado e os 

vagabundos, 

imerecidamente 

Nos palácios  

habitam os nobres

os apadrinhado

e os de foro privilegiado,

nababescamente. 

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

A MÃO QUE ACARICIA 04 10 2018


 É tanta a felicidade

De fazer-se o que se quer

Ouvir uma boa musica

Ou flertar com uma mulher

Confesso,  antes não sentia

Nenhuma alegria na vida

Julgava tudo ilusão

A  solidão constante

Que me atormentava

 E se desfez quando

abri a cortina

Onde  a mulher

que eu amava

Se escondia..

Sim.

Por trás na neblina

Na noite fria 

Consegui 

finalmente

Vencer  o desprezo 

 que fugia 

De tudo que era 

verdade

Uma via de mão dupla

Que caminhava ao  

contrário

Da benfazeja mão 

que me quer e acolhe

Agora.









sexta-feira, 28 de setembro de 2018

A SAÍDA 18 09 2018


              
Se você está em uma nau e for pego por uma forte tempestade tem as seguintes alternativas para se safar:
Se tiver um colete a  bordo estará   meio passo andado...
Se souber nadar melhor ainda..
Se não tiver medo de pegar um resfriado  você  aumentará sua chance  de não ir desta para o inferno.
E lembre-se , se houver algum cão  a bordo e ele, porventura, nunca nadou  ele incontinente irá se jogar no mar e aprenderá na hora a nadar.
Porque?
O cão  desrespeita o medo.
Tem coragem e bravura.
Tenho dito.
Deus não irá lhe ajudar porque o que está acontecendo  um teste que ele está fazendo  com você ou qualquer um que se meta a besta de ter medo da morte.
Agnus dei. Lp
 

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO 24 09 2018


Estou só dentro de mim mesmo

Enclausurado, atado.

Moro em uma residência com alguns 

Familiares, mas sinto-me só.

Com meus  lamentos.

Que são meus companheiros,

Desacompanhados como eu.

Meu quarto é meu único refúgio.

A cidade pulsa lá fora.

Fumaça, buzina, marola.

Uma obra ao lado do meu prédio

Uma britadeira me azucrina

Até as 17 horas da tarde.

Quando o trabalho termina.

E minha agonia continua...

Estou no armário da solidão permanente

Já é noite....

Saio.

Ardem meus olhos e os da cidade também.

Buzinas, fumaça de ônibus

Mendigos e moribundos

Isolados do mundo ...

Pessoas indo e vindo freneticamente de um lado para outro

Sem mesmo saber para onde vão.

Distúrbios, pega ladrão.

Confusão..

Contusão..

Uma moto passa entre os carros e arranca o retrovisor

 de um motorista ,que blasfema e xinga o desconhecido:

Puta que pariu!

Essa e a cidade que eu amo.

Idosos atravessando a rua fora do semáforo

Como se fossem robôs  conduzidos por Deus

Deus os livre e guarde.

Latões de lixo nas calçadas da desonra

Na orla da praia as prostitutas recolhem os últimos tostões

Dos incautos.

Pelo menos os usuários pagam uma só vez por uma noite de amor

Por mulheres variadas, louras, morenas, mulatas e travestis

E sua responsabilidade acaba em uma noite....

Afortunados desafortunados.

Estou invisível,

Ninguém me vê nem me nota

Sento na mesa externa no bar do Cabral que já me conhece de

longa data, desde que me aposentei

meu passatempo noturno.

Minha única ocasião

Para uma reflexão.

eu Fortunato diz: como vai, sai um Brahma gelada?

Sim, respondo, como sempre.

bebo com prazer  a bebida que me acalenta.

Na Matriz, em frente, sai uma procissão agora

Em memória da fé em Nossa Senhora da Glória

Rezam pedindo ao pai nosso de cada dia

Café com pão e caviar misturados com água  rás

Todavia,

Como é doce olhar....

As areias desertas e iluminadas de Copacabana

Da princesinha do mar que agora envelhecida

Aguarda a ambulância chegar

 Está precisando de uma UTI urgente.

Mas ninguém atende

Nem entende

É tarde, volto para minha residência

Meus familiares,

Vendo o noticiário nefasto da TV Globo

Perguntam:

“Chegou hoje cedo da farra...

Não respondo.

Passo pela sala e entro no meu refúgio

Aquele quarto ao qual me referi no início da narrativa

Amanhã e dia de compras de mercado.

Deixo o cartão de crédito no cabeceira do quarto ao lado,

onde minha mulher passa a maior parte de seu precioso

tempo.

volto para o velho quarto antigo

Para conversar com meu  piano 

Antes de ler mais um capítulo do livro

"Em homenagem ao saudoso

José de Ribamar Ferreira Goulart"








terça-feira, 11 de setembro de 2018

A VIA DUPLA 11 09 2018



As pessoas me fazem muitas perguntas

Mas eu não sei todas as respostas.

eu tenho, sim, inúmeras  perguntas

Mas as pessoas não sabem, da mesma forma , responder 

a todas minhas perguntas.

Essa é uma via de mão dupla???.

  

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O INEXORÁVEL 05 09 2018


Estou ficando velho e cansado.
Quando era novo todos me admiravam
Paravam na rua quando me viam.
Ligeiro e safo em minhas ações
Movia-me com facilidade.
Destro e afável.
As mulheres me desejavam.
Tive muito gozo e felicidade com elas
Sentadas em meu colo
Gozando o amor do convencimento

Inobstante o tempo foi passando
A idade chegando...
Após alguns anos comecei a ficar com muitos engasgos
Problemas com respiração
Extra-sístoles frequentes

Colocaram uma válvula em meu coração
Depois mais 3
Começava a capengar
A coluna cervical
Estava mal

Enfim, a idade já não me permitia mais ser admirado
Minha família começou a desprezar-me.
Colocaram-me em um quarto pequeno, com pouca luz
Sentia-me desprezado.
Isolado do mundo.

Ninguém conversava mais comigo
Parecia que meus dias estavam contados.
Amanhã serei levado em um camburão para o cemitério
E,  com o tempo, serei um monte de escombros
Conclusão:
Lugar de sucateados é no inferno
Triste fim de um carro velho.
Não existe a vida eterna
A morte é inexorável para tudo e para todos.





sexta-feira, 24 de agosto de 2018

O FIM 24 08 2018



Sinto uma sentença vazia

Que sabia chegaria um dia

Mas escondida de mim

Mal previa o triste fim

Pela vida agitada

Que me levava e trazia

Nas lides do amor e trabalho

Nunca prestei atenção

É o fim é inexorável

Agora torna-se realidade

O juiz entrou na sala

Na mão traz uma mala

Cheia de recordações

De minha vida passada


O Juiz lê   o  processo para mim

Pregunta se entendi

O que quer dizer o fim

Lavra a sentença da morte

Espero que tenha sorte

Rezo e peço com fervor

A virgem Maria presente

“Maria passa na frente”

Então ela dita a norma:

Não tenho esse poder

Isso é invenção dos homens

Para se proteger

Usando a crença inventada

De maneira equivocada.

Posso cair, estou idosa.

Passa na frente você.

Nunca acreditaste em mim

Porque agora tem medo

De seu triste fim?

Enfrenta a realidade

E para de orar sem pensar

Enfrenta a realidade

Pare de sonhar. ”

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

O DUPLO SENTIDO DO RISCO 13 08 2018



A vida é um risco
Um simples risco em uma folha de papel
Quanto mais se vive a mão fica mais tremula
 do que o Pavilhão Nacional
Em dia de temporal

Um dia retornaremos ao nada
O lápis será substituído por uma pena
E a folha de papel voará para o espaço
O mundo arderá em chamas
Chamas da vingança
Do pai eterno?

Pai da esperança.
Esperança perdida
Envolta na ilusão da estória
Contada em conto de fadas.

Devido ao enorme calor
Do amor extinto pelas chamas
Arde a torre de aço
Queima o corpo do sofredor
Ser humano
criado pelo Deus do horror.

Quisera eu
Ser um crente atoa.
Rezar por medo
Do irremediável

Prevendo alcançar o céu
Onde vivem eternamente
os seres iludidos pela fé.
Tragados pelo oceano
Do desprazer da vida





terça-feira, 17 de julho de 2018

A VERDADEIRA PROCURA 17 07 2018


Dizem que a fé remove montanhas.

Só que, para mim,  vejo  essa  montanha muito alta..

E, portanto, estou convencido de que jamais conseguirei chegar 

do outro lado.

Uma questão de perspectiva.

Deixemos portanto de conjeturas, alucinações metafóricas e 

enfrentemos a  realidade.

Ela , é que está aqui mesmo,  na planície.

Não sei se meu patrão me demitiu devido a uma

crise de  ansiedade, histérica ou financeira mesmo.

A verdade e que não possa buscar solução onde ela não está



Preciso arranjar um emprego para ter, pelo menos, o essencial

 para viver.

Uma casa para me abrigar

Um calçado para calçar

Roupa para vestir

E alimento para sustentar meu corpo.

Dentro desse raciocínio vou à luta.

A vida é curta.

Deixemos de elucubrações e ilusões.

Já bastam as desilusões.




LEITURA INTERPRETATIVA 17 07 2018


    
Foi-se um pedaço de mim.

Não importa.

Para tudo há um início e um fim.

Os áureos tempos de minha cumplicidade com ela

saíram pela porta, que sempre esteve

sem    trinco e sem chave.

Tudo aconteceu no devido tempo.

Mas não foi tempo perdido.

Divertimo-nos muitas vezes

Antes de o tempo chegar...

Sem aviso prévio...

”Não há aviso prévio para o previsto.”


sexta-feira, 8 de junho de 2018

A VIA CRUCIS 08 06 2018




Senhor, falta a quarta via
Mas na papelaria foi esse o formulário que me forneceram.
Senhor, mas falta a quarta via. Sem ela não posso dar entrada em seu pedido de aposentadoria.
Está bem, voltarei a papelaria e saber o que houve.
Está bem senhor.
Após resolver seu problema o senhor entra de novo na fila,
aquela lá no fim do corredor.
O homem sai e na papelaria, o atendente pede desculpas e
fornece o formulário correto.
O senhor sai da papelaria e volta a Repartição pública,
Entra na enorme fila outra vez entrega toda a documentação
O funcionário confere e, nessas alturas, o senhor já está quase
se mijando nas calças pois tem incontinência urinário em
virtude da cirurgia de próstata que fez há cinco anos atrás e
pregunta ao funcionário.
Por favor me diga porque é tão importante essa quarta via
O funcionário público  responde.
Essa via é muito importante.
É aí que está a declaração de que o senhor está informando a
verdade e se responsabiliza por tudo que está escrito antes.
O senhor sai desanimado e com as calças molhadas e ainda
passa grande vexame.
Todas as pessoas olhando pra ele todo mijado.
Se dirige ao banheiro da Repartição onde não tem papel e a
privada está toda cagada e mijada pelos que já lá estiveram
durante todo esse nefasto dia de via crucis.

Dez anos depois chega, finalmente, em sua    casa a carta
autorizando sua aposentadoria.
A família recebe, assina o documento que veio protocolado
em correio especial com um monte de carimbos e a coloca
 junto do armário da sala onde estão várias  fotos póstumas
do falecido.