Antenor e Aspásio eram amigos desde infância.
Praticamente se criaram juntos.
Nasceram na mesma rua, jogaram bola de gude e de meia juntos.
Eram muito amigos.
Criaram um código de honra no sentido de que a namorada de um jamais
poderia ser cortejada pelo
outro e assim a coisa foi bem
entre os dois por longo período , até quando tinham 30 anos
de
idade.
Em algum aspecto, todavia, tinham que ser diferentes.
Antenor era um cara centrado, estudioso, fez faculdade de direito com D
maiúsculo e se tornou um
bom profissional, digno de
respeito, ao passo que Aspásio vivia as custas
do pai.
Gostava de musica e por viver
lendo revistas em quadrinhos queria ser poeta.
O pai do Aspásio não gostava
nada dessa ideia maluca.
Como alternativa, diante dos reclamos do pai pensou Aspásio em estudar piano.
O pai ficou mais furioso ainda e
argumentava que tocar piano era coisa de maricas.
Aspásio, entretanto, insistiu em
ser musico e comprou, como sempre fazia as custas do pai, um
violão.
O pai enrubescia e vociferava cada vez mais decepcionado com ele.
Dizia que tocar violão era coisa de vagabundo.
Resumindo, Aspásio era um sonhador e, como tal enveredou pelas veredas
da poesia.
O pai de Aspásio cada vez mais triste enquanto o pai do advogado
cada vez mais orgulhoso.
Essa situação não interferia na amizade dos dois, porquanto o código de honra ,citado no início
da
história, nunca foi quebrado.
De quando em vez Antenor dava
uma “ espetadinha” no amigo pedindo para ele criar juízo, que
poesia não dá futuro a ninguém .
Esses papos que um poeta não gosta de ouvir a não ser para criar uma situação
que lhe desse
motivo para escrever.
Certa ocasião em um fim de semana, ambos, coincidentemente, haviam brigado com as namoradas
e resolveram dar uma volta na
orla da praia que ficava a dois quarteirões de onde moravam para
espairecer um
pouco e esfriar as respectivas cabeças.
Ambrósio, como sempre fazia, levava um lápis e um caderninho a tiracolo
e seu inseparável violão.
Naquela época ainda não havia
Android(essas maquininhas de fazer doido) e dizia ele ao amigo
que agia assim para , caso pintasse alguma ideia, escrever, como
sempre fazia, algum poema.
O amigo não gostava dessa ideia mas não
contrariou o amigo.
E caminharam.........
Mais adiante se sentaram em um
banco na praia
“Fitando o horizonte
Em tarde de outono
Meio fria meio quente “
Anbrósio falou.
Eis que ambos veem um barco de pesca e um pescador em pé no barco
pedindo socorro.
O barco balançava muito e o pescador caiu no mar
Antenor se levantou rápido e cutucou o amigo:
Está vendo!
O cara está se afogando, o mar esta um pouco agitado.
Corre , vamos procurar ajuda para salva o cara..
O salva-vidas, Corpo de Bombeiros, sei lá, alguém que nade
Ambrósio não perde tempo e rtesponde:
“Eu não nado
Nada.”
E sem se abalar continua
escrevendo.
Antenor insiste:
Vai te catar, larga esse papel inútil e esse lápis , vamos salvar o
homem....
Ambrósio escrevia , escrevia, alheio a tudo o que se passava.
Antenor por fim diz:
O que tanto escreve ?
Um poema.
Uma hora dessas....
Pega o papel da mão do amigo e lê:
“É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar.”
Antenor fica irado e aponta o dedo para o amigo e reclama dizendo..
És maluco mesmo não vez que o
cara está se afogando..
A água do mar não é doce é salgada paca..
E o mar não é azul, é branco...
Vocês, poetas veem o mundo cor de rosa com bolinhas amarelas (ou
azul com bolinhas cor de rosa).
E dizendo isso retirou-se furioso.
Finalizando a estória:
O homem foi salvo e eles
nem viram.
Antenor foi-se e Ambrósio continuou escrevendo..
Falando entredentes porque a sua camisa não tinha botões:
“Esse meu amigo é muito realista
Não ve as coisas boas que o mundo
Põe a nossa vista
Muito pessimista
Vê coisas ruins em tudo”
Depois desse incidente fala-se que nunca mais viram os dois amigos
juntos.
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