No vale das incertezas
Era verde ora arde em
chamas
O rico come na mesa
O pobre come na lama
No vale das incertezas
Só o sabonete não vale
”Vale quando pesa”
Fechou fábrica por nada
No vale as incertezas
Os ratos comem os gatos
As pulgas matam os cães
Os ricos roubam os
ladrões
No vale das incertezas
Disse o poeta Tim Maia
“Tudo é tudo
Nada é nada”
No vale das incertas
Queima caminhão da
Brahma
O bandido não é preso
A polícia leva a fama
No vale das incertezas
Nem o poeta tem sorte
Procura o que brota lá
Mas vê só sombra e morte
No vale das incertezas
A cabra come a cobra
E não é por puro acaso
Foi por inversão de valor
No vale das incertezas
Gafanhoto morre à toa
Falta trigo por devasta
E só lhe sobra a bosta
No vale das incertezas
Eu vim de lá agorinha
Não vi nada que preste
Além de uma andorinha
No vale das incertezas
Falta sol, falta
alvorada
Impassível reina a
morte
Tudo escuro não tem
nada
No vale das incertezas
Onde antes vicejava
Flor e planta e hera
limpa
Ergueram enormes
jardins
Onde se lava dinheiro
dinheiro sujo da trama
na plataforma do limbo
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