quinta-feira, 1 de junho de 2017

O VALE DAS INCERTEZAS 01 06 2017

No vale das incertezas
Era verde ora arde em chamas
O rico come na mesa
O pobre come na lama

No vale das incertezas
Só o sabonete não vale
”Vale   quando pesa”
Fechou fábrica por nada

No vale as incertezas
Os ratos comem os gatos
As pulgas matam os cães
Os ricos roubam os ladrões

No vale das incertezas
Disse o poeta   Tim Maia
“Tudo é tudo
Nada      é nada”

No vale das incertas
Queima caminhão da Brahma
O bandido não é preso
A polícia leva a fama

No vale das incertezas
Nem o poeta tem sorte
Procura o que brota lá
Mas vê só   sombra e morte

No vale das incertezas
A cabra come a cobra
E não é por puro acaso
Foi por inversão de valor 

No vale das incertezas
Gafanhoto morre à toa
Falta trigo por devasta
E só lhe sobra a bosta

No vale das incertezas
Eu vim de lá agorinha
Não vi nada que preste
Além de uma andorinha

No vale das incertezas
Falta sol, falta alvorada
Impassível reina a morte
Tudo escuro não tem nada

No vale das incertezas
Onde antes vicejava
Flor e planta e hera limpa
Ergueram enormes jardins
Onde se lava dinheiro
dinheiro sujo da trama
na plataforma do limbo





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