segunda-feira, 24 de setembro de 2018

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO 24 09 2018


Estou só dentro de mim mesmo

Enclausurado, atado.

Moro em uma residência com alguns 

Familiares, mas sinto-me só.

Com meus  lamentos.

Que são meus companheiros,

Desacompanhados como eu.

Meu quarto é meu único refúgio.

A cidade pulsa lá fora.

Fumaça, buzina, marola.

Uma obra ao lado do meu prédio

Uma britadeira me azucrina

Até as 17 horas da tarde.

Quando o trabalho termina.

E minha agonia continua...

Estou no armário da solidão permanente

Já é noite....

Saio.

Ardem meus olhos e os da cidade também.

Buzinas, fumaça de ônibus

Mendigos e moribundos

Isolados do mundo ...

Pessoas indo e vindo freneticamente de um lado para outro

Sem mesmo saber para onde vão.

Distúrbios, pega ladrão.

Confusão..

Contusão..

Uma moto passa entre os carros e arranca o retrovisor

 de um motorista ,que blasfema e xinga o desconhecido:

Puta que pariu!

Essa e a cidade que eu amo.

Idosos atravessando a rua fora do semáforo

Como se fossem robôs  conduzidos por Deus

Deus os livre e guarde.

Latões de lixo nas calçadas da desonra

Na orla da praia as prostitutas recolhem os últimos tostões

Dos incautos.

Pelo menos os usuários pagam uma só vez por uma noite de amor

Por mulheres variadas, louras, morenas, mulatas e travestis

E sua responsabilidade acaba em uma noite....

Afortunados desafortunados.

Estou invisível,

Ninguém me vê nem me nota

Sento na mesa externa no bar do Cabral que já me conhece de

longa data, desde que me aposentei

meu passatempo noturno.

Minha única ocasião

Para uma reflexão.

eu Fortunato diz: como vai, sai um Brahma gelada?

Sim, respondo, como sempre.

bebo com prazer  a bebida que me acalenta.

Na Matriz, em frente, sai uma procissão agora

Em memória da fé em Nossa Senhora da Glória

Rezam pedindo ao pai nosso de cada dia

Café com pão e caviar misturados com água  rás

Todavia,

Como é doce olhar....

As areias desertas e iluminadas de Copacabana

Da princesinha do mar que agora envelhecida

Aguarda a ambulância chegar

 Está precisando de uma UTI urgente.

Mas ninguém atende

Nem entende

É tarde, volto para minha residência

Meus familiares,

Vendo o noticiário nefasto da TV Globo

Perguntam:

“Chegou hoje cedo da farra...

Não respondo.

Passo pela sala e entro no meu refúgio

Aquele quarto ao qual me referi no início da narrativa

Amanhã e dia de compras de mercado.

Deixo o cartão de crédito no cabeceira do quarto ao lado,

onde minha mulher passa a maior parte de seu precioso

tempo.

volto para o velho quarto antigo

Para conversar com meu  piano 

Antes de ler mais um capítulo do livro

"Em homenagem ao saudoso

José de Ribamar Ferreira Goulart"








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