quarta-feira, 18 de setembro de 2019

A ERA DO GELO


     

Hoje foi um dia cansativo em meu escritório e 

não via a hora de encerrar meus trabalhos e 

voltar para meu sacrossanto lar.

Finalmente às 17 horas encerrei minhas 

atividades, fechei minha mesa de trabalho e fui 

para casa.

Cheguei  às  23  horas porque o transito estava 

péssimo.

Abri a porta ,  passei pela sala aonde encontrei 

minha mulher sentada no sofá , como sempre,  

Olá, meu amor.Ela respondeu, sem virar o rosto.

Oi!

Em seguida me dirigi  ao quarto do 

Andrezinho, meu filho de 27 anos que não 

trabalha e    vive jogando naquele computador 

Ele, da mesma forma respondeu:

Oi!

Cruzei o corredor e entrei no meu quarto  ,tirei 

a roupa do trabalho e fui ao chuveiro tomar 

um banho restaurador.

Em seguida me dirigi  a cozinha passando pela 

a sala e minha mulher, ainda com os olhos fitos 

na novela  falou:

Tem sopa no fogão, é só esquentar.

Respondí:

Tá.

Tomei aquela sopa requentada ,passei de novo 

pela sala e minha mulher continuava sem 

notar 

minha presença, que nem uma múmia 

paralítica vendo, desta feita, outra novela da 

famigerada REDE GLOBOMARCAS.

Chegando ao quarto li um capítulo de um 

romance de Eça de Queiroz e deitei.

Já estava dormindo há duas horas e acordo 

com um estrondo no quarto, acendo a luz e 

minha mulher , com os braços na cadeira, dela, 

é claro, falou:

Já está dormindo? "Só sabe fazer isso mesmo.Andrezinho disse que você mal falou com ele.

Você é um chato mesmo."

Respondi:

Tá.

Por entre as cobertas , entretanto,  falava com 

os  botões do meu pijama.

Porque não casei com aquela escurinha, minha 

vizinha, que era apaixonada por mim.?Em vez 

disso escolhi uma mulher branca, megera indomada e tive um 

filho  indolente e preguiçoso....


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