PRIMEIRO ATO
O poeta é maneta.
Só tem a direita.
E ainda toca corneta.
No quartel da ilusão.
Uma vez convidado.
Para evento marcado.
Em sua homenagem.
Adentra o salão.
Onde uma multidão.
O aguarda de pé.
Recebendo-o com pompa.
E satisfação.
Eis que, de repente.
Um apressado garçom.
Desastrado que era.
Derruba o poeta.
Que se estatela no chão.
O poeta então.
Cai de mau jeito.
Quebrando a outra mão.
A única que tem.
O poeta geme de dor.
Socorrido de pronto.
É levado pra cura.
No hospital da cidade.
SEGUNDO ATO
Dois dias se passam.
E o poeta já em casa.
Recuperado mas triste.
Causa aflição.
A parentada geral.
Que procura solução.
Para que o poeta.
Continue a profissão.
Que ama demais.
É tudo o que faz!
Um irmão sugere.
A contratação.
De um especialista.
Ou mesmo um alquimista.
Para ajuda-lo.
Em suas escritas.
E contratam um escriba.
Acreditam que com essa medida.
O poeta não se sentirá.
Privado da escrita.
Poeta frustrado.
Sem seu ganha pão.
É poeta abatido.
Fica em solidão.
Não quer o poeta.
Se entregar ao vício.
privar-se do oficio.
FINAL
Dois anos se passam.
São lançados 10 livros.
Do poeta em questão.
Obras robustas.
Grande aceitação.
Graças à ideia do irmão.
Poeta salvo.
É poeta vivo.
Restaurado e presente.