sábado, 16 de janeiro de 2016

O SALVAMENTO DA MINHOCA 16 01 2016

                  

E cá estou, de novo, à beira do rio tentando pescar.

Seguro de mim, na vã esperança de fisgar   um peixe, mesmo 

pequeno, no rio da esperança.

Minha minhoca chora ,  soluça e  pede perdão.

Diz-me que não fez nada para acabar daquele jeito.

Mas não há outra solução.

Sentado à beira do rio.

Rio da ilusão.

Entretanto, agora rio de mim mesmo.

Percebo que ele  está  poluído e  sem vida.

Envergonhado por ter nascido sadio e  triste e sem saber  porque 

os homens fizeram dele  sua latrina,   onde     depositam  seus   

dejetos,  decepções     e lamúrias.

Rio vermelho...vermelho de sangue e envergonhado.

Rio que morre enquanto   seu dono enriquece.

Eu, entretanto, continuo pobre e sem alimento pra minha alma 

sem incentivo para continuar vivendo.

Entregue às   minhas decepções e lamentos.

Resolvo desistir, então.

Digo pra minha minhoca:

Vamos pra casa.

Você está salva.

Nenhum comentário:

Postar um comentário