E cá estou, de novo, à beira do rio tentando pescar.
Seguro de mim, na vã esperança de fisgar
um peixe, mesmo
pequeno, no rio da esperança.
Minha minhoca chora , soluça e pede perdão.
Diz-me que não fez nada para acabar daquele jeito.
Mas não há outra solução.
Sentado à beira do rio.
Rio da ilusão.
Entretanto, agora rio de mim mesmo.
Percebo que ele está poluído e sem vida.
Envergonhado por ter nascido sadio e triste e sem saber porque
os homens fizeram dele sua latrina, onde depositam seus
dejetos, decepções e lamúrias.
Rio vermelho...vermelho de sangue e envergonhado.
Rio que morre enquanto seu dono enriquece.
Eu, entretanto, continuo pobre e sem alimento pra minha alma
e sem incentivo para continuar vivendo.
Entregue às minhas decepções e lamentos.
Resolvo desistir, então.
Digo pra minha minhoca:
Vamos pra casa.
Você está salva.