sexta-feira, 29 de abril de 2016

CIDADE DECAIDA 29 04 2016



Decaída cidade.
Esvai-se exangue.
Pela enxurrada, uma tempestade. 
Já  conhecida, chamada  idade...

Ahhh,  a poesia...
Julgava que não me trairias.
Enganei-me.
Estou no abismo inexorável do tempo.


domingo, 10 de abril de 2016

MADAME KARINA 17 02 2016

                             
Toda a semana madame Karina recebe a visita de sua pedagoga.
É a Mary, que pinta e borda as unhas de seus pés.
Durante a tarefa elas conversam sobre as novelas que assistiram no
dia anterior e travam ilações sobre o que acontecerá nos novos
capítulos, assunto, como se vê, altamente instrutivo.
As novelas que assistem são as de uma emissora de TV de grande
porte e que leva a cabo a já diminuta mentalidade do povo de um lugar
chamado Tupiniquim.
Elas estão, portanto, altamente GLOBALIZADAS.
Zulu, a nova empregada doméstica de madame Karina é   formada em
Ciências Naturais e tem doutorado em Botânica mas como não
encontrou emprego em nenhuma Universidade de seu Pais aceitou   trabalho não condizente com sua cultura pela segurança:
“Carteira assinada, direitos trabalhistas etc.”
Zulu, anda intrigada com a conversa entre a patroa e sua demagoga.
De quando em vez, passa por elas com a boca meio entreaberta.
Tenta decifrar que bicho anda mordendo essas duas criaturas.
Que falta de assunto!!!!!!
Contudo, o que se há de fazer, pensa ela.
As Faculdades no País inteiro  estão  fechadas por falta de verba e a  
mentalidade  dos políticos  embotadas por falta de verbo.
Só resta cumprir sua tarefa e deixar de bisbilhotar conversas
entre a patroa e sua pedóloga.
Afinal, o que se pode esperar do País das contradições.

“extraído da vida real com algumas interferências extemporâneas”





sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

DIÁLOGOS 04 2016

                      
A chipanzé amamenta suas crias  mais dois filhotes de uma leoa.

Pergunta ao homem:


Porque estas olhando com essa cara de espanto?

Nunca viu um aleitamento materno ou estas estranhando que eu

alimente dois filhotes de leõezinhos que não são da mesma

espécie  que a minha?

Não vês que a mãe deles está aqui a meu lado e morreu ao pari-los?

Isso se chama solidariedade.

Não sabes o que é isso no teu mundo?

Faça-me o favor....

Inventas palavras e nem sabem o verdadeiro sentido delas?

A onça pintada, que está por perto, percebe que o homem  começa  a admira-la  e 
pergunta:

estás admirado com essas minhas pintas perfeitamente

distribuídas?.

Eu nasci assim, não usei nenhum pincel ou bisnaga de tinta para isso.

Sinto-me bela e seduzo e conquisto  meus parceiros  com essas  pintas.

Acho, pelo jeito, que também  não sabes o que é  um pavão.

Tu ai cheio de tatuagens de cores berrantes, artificialmente pintadas em teu corpo

Porque usas essas drogas?

Já  sei :

Usas essas alegorias estranhas, naturalmente, para seduzir tuas  parceiras.

Mulheres que fazem parte desse teu mundinho que, te  julgam atraente

por  usares essas baboseiras.

Certamente,não devem ser grande coisa também.

Um mosquito da dengue que está por perto sorri e fala para a bactéria a seu lado:

Este homem não sabe nada dessa vida mesmo.

É inseguro, fica preocupado o tempo todo com medo de assaltos

e de que um seu  semelhante  o atropele e mate, sem saber que o perigo está em 

locais onde o horizonte dele não enxerga.

Se quisesse, agora, daria uma picada nele e causaria enormes transtornos  `a  sua 

saúde e ele nem perceberia.

Ficaria doente sem saber  porque.

A bactéria, então, diz para o mosquito.

Imaginei eu, que sou invisível.
                                                                                                                          Posso atacá-lo a qualquer momento sem ele se dê conta, entrar em seu organismo 

pegar desprevenidos todo aquele exército que os homens chamam de anticorpos, 

destrui-los  todos, tomando conta do seu corpo,  podendo  até mata- lo.

O homem já está longe dali a caminho de casa e mesmo antes de dez passos da 

porta já ouve seu cão latir.

Abre a porta e Bob lambe a suas mãos, corre de um lado para outro , pula 

em cima dele e o homem diz:

Sai fora seu interesseiro.

Já sei que fazes isso porque toda vez que chego em casa trago um biscoito pra 

você. Hoje não trouxe nada e fim de papo.

Senta-se em sua poltrona, em frente à TV, já de controle remoto na mão, que 

aciona freneticamente, procurando um canal de TV que lhe agrade.

Como não encontra nada que preste adormece ali mesmo, exausto  e cheio de 

minhoquinhas, no bom sentido,  na cabeça.

Bob senta-se em frente a ele, de orelhas caídas e pensa:   

”Esse meu dono anda estranho ultimamente.

Acho que está precisando de ajuda.”








A SÚPLICA 11 02 2016

               
Você me perdoa?
Sei que fui rude.
Por um breve momento contrariei você.
Um momento impensado.
De desvairada loucura.
Sem má intenção.
Me perdoa?
Não foi meu propósito.
Nem de propósito.
Estamos há muito tempo   juntos.
Dividindo nossas vidas.
Momentos de alegrias e tristezas   tivemos.
Com os quais sempre soubemos lidar.
Mas não posso viver sem você.
Peço perdão.
Precisamos um do outro.
Nós nos completamos.
Nós nos amamos.
Nós sabemos lidar com nossas amarguras.
Se em algum momento errei.
Posso ser perdoado.
Você me perdoa?

DIA APÓS DIA 12 02 2016


Hoje está um dia muito triste.
Qual é?
Um calor intenso lá fora.
Todo o mundo na praia desfrutando sol   escaldante e eu aqui, em frente
Ao meu PC com os dedos gelados procurando   palavras, advérbios,
substantivos, verbos e toda a sorte de letras misturadas na inexorável
intenção de colocar pra fora meus sentimentos.
Uma droga.
Meus fantasmas saem dos túmulos de meu intrincado sistema cerebral;
desfraldando  bandeiras pintadas de vermelho; as gavetinhas se abrem
uma a uma e não sai  nada.
Meu  vizinho   parece cozinhar um suculento pernil.
Acho que é suculento porque cheira muito alto.
Desisto.
Fritarei om ovo, farei um sanduiche com um pãozinho qualquer e
degustarei    a iguaria acompanhado de uma Coca na falta de uma  ideia
melhor.
Amanhã volto a sentar nesta mesma mesa em frente ao meu PC.
E a vida segue....
Aqui, dentro de casa continua frio.
Lá fora sol intenso.


 


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

APOCALIPSE 8 02 2016

      
Enquanto nós, considerados a turba ignara, a patuleia.
Se diverte ao rufar dos tambores.
Entregando-se   aos prazeres de Pompeia.
E ao ópio dos sonhos.
Da alegria do Carnaval.   
O rei do mundo planeja às escondidas.
O derradeiro golpe e com sua espada afiada.
Derrubará por inteira enorme Catedral.
Que ruirá por terra em extenso lamaçal.
Trazendo de roldão toda a poeirada.
Do   grande desastre ambiental.
O pavilhão nacional ruirá por fim.
Tinto de cor vermelha.
De vergonha e sangue.
E essa cor será.
A nova cor da Bandeira Nacional.
O rei do mundo decretará sozinho.
A varrida   de toda a poeira para baixo do tapete do perdão.
Que ele criou em sua ilusão.
Do poder e da ambição.
O dono do mundo realizara enfim.
O seu desiderato.
Livre do que lhe incomodava.
Desfeito do que lhe causava insatisfação.
Reinará assim, por toda a eternidade.
Com toda a fortuna acumulada.
Nos porões do Palácio da injustiça.
 Mas ficará solitário e triste.
 E sucumbirá pela solidão.
E assim será seu fim.
Imerso no profundo caos da desconstrução.



sábado, 30 de janeiro de 2016

PERDÃO 30 01 2016

               
 Agora ela me culpa.
Persegue-me de dia.
Á noite perturba meu sono.
Diz que meus erros vieram de longe e é por isso que me  encontro neste estado.
Desconcentrado.
Inconformado.
Incomodado.
Destruído por dentro.
Agoniado.
Diz que fui negligente.
Incompetente...
Que não soube escolher as pessoas que iriam interferir em meu destino.
Ela não compreende que agi de boa-fé.
Confiei.
Desprendi-me.
Entendi e supus que o mal não avançaria tanto.
Não chegasse a esse ponto.
De me sentir profundamente desapontado.
Agora ela me culpa.
No fundo acho que ela tem razão.
Preciso voltar ao normal
Senão sucumbirei.
Preciso viver.
Para ver.
Até onde irei.




quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O HIPOCONDRIACO 26 01 2016

                
Tunico foi ao médico como o faz.

Desde tempos atrás.

Para se consultar e fazer exames.

Ele já é idoso mas aqui pra nós sofre de hipocondria.

O médico disse que ele tem uma saúde de ferro para a idade.

Enfatizando:

Você   é muito comedido.

Comedido nas bebidas.

Comedidos nas comidas.

Comedido nos prazeres sexuais.

Comedido    ...comedido.

Comedido em tudo.

Se soubesse como anda meu fígado   nem viria aqui.

Para sua idade você está muito bem.

Tunico cumprimentou o médico e saiu do consultório.

Desceu o elevador e quando já estava na calçada parou...

Estremeceu na base e falou para seus botões:

“To ferrado"

O médico disse que tenho saúde de ferro.

O ferro, através dos tempos enferruja.

O que será que ele quis, verdadeiramente, dizer????


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

PESADELOS 17 01 2016

               
 Perder o emprego?
Ser vítima de uma bala perdida?
O Brasil foi à   bancarrota?
Um motorista bêbado atropela-me na próxima   esquina?
Sonhos inquietantes.
Contudo meu maior   pesadelo seria perder minha namorada.

Ela é linda de morrer.
Por isso não tenho pesadelos.
E se os tenho, não me lembro.
Só sonho com    ela.
Vivo   o sonho   de uma vida plena e duradoura.
Sempre a seu lado.
Beijos, abraços e carinhos...
Amanhã, sábado, iremos nos encontrar.
As águas irão rolar.
No motel 5 estrelas da Barra da Tijuca.
Onde as paredes do quarto tremem   logo após trancamos a porta.
E rolamos no leito redondo do centro da Terra.
Que gira, gira, gira, sem parar...


O AMOR DE MINHA VIDA 20 01 2016

                  
Tu   és.
A mais pura e límpida água que vem da montanha.
Clara e  fresca.
A mais pura imagem que vem do Céu.
A mais bela mulher de grande   nobreza.
És tu mulher.
Que me ampara e anima.
És tu mulher.
Nenhuma outra é igual a ti.

MEDOS 20 01 2016

Perguntas se tenho medo?

Tenho sim mas meus medos são só meus.

Não revelarei meus medos   a ninguém.

São de  propriedade   privada (no bom sentido).

Registrei   direitos autorais   sobre meus medos.

Ninguém pode tocar em meus medos nem saber quais são.

São intocáveis.

Todas  as  pessoa tem medos.

Tem medo até de morrer.

Vejam só......

O que é mais certo nesta vida é a morte.

Ninguém escapa.

Transitamos, apenas, pela vida.


E olhe lá.

sábado, 16 de janeiro de 2016

O SALVAMENTO DA MINHOCA 16 01 2016

                  

E cá estou, de novo, à beira do rio tentando pescar.

Seguro de mim, na vã esperança de fisgar   um peixe, mesmo 

pequeno, no rio da esperança.

Minha minhoca chora ,  soluça e  pede perdão.

Diz-me que não fez nada para acabar daquele jeito.

Mas não há outra solução.

Sentado à beira do rio.

Rio da ilusão.

Entretanto, agora rio de mim mesmo.

Percebo que ele  está  poluído e  sem vida.

Envergonhado por ter nascido sadio e  triste e sem saber  porque 

os homens fizeram dele  sua latrina,   onde     depositam  seus   

dejetos,  decepções     e lamúrias.

Rio vermelho...vermelho de sangue e envergonhado.

Rio que morre enquanto   seu dono enriquece.

Eu, entretanto, continuo pobre e sem alimento pra minha alma 

sem incentivo para continuar vivendo.

Entregue às   minhas decepções e lamentos.

Resolvo desistir, então.

Digo pra minha minhoca:

Vamos pra casa.

Você está salva.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

ESCRITOR FRUSTRADO 15 01 2015

Hoje está um dia muito triste.
Qual é?
Um calor intenso lá fora.
Todo o mundo na praia desfrutando sol   escaldante e eu aqui, em frente
ao  meu PC com os  dedos gelados procurando   palavras, advérbios,
substantivos,    verbos e toda a sorte de letras misturadas na inexorável
intenção  de colocar pra fora meus sentimentos.
Uma merda.
Meus fantasmas saem dos túmulos de meu intrincado sistema cerebral
desfraldando bandeiras pintadas de vermelho, as  gavetinhas se abrem
uma a uma e não sai  nada a não ser um cheiro esquisito que vem  do
vizinho que  parece cozinhar um suculento pernil.
Acho que é suculento porque cheira muito alto.
Vou desistir.
Fritarei  um ovo ,  farei um sanduiche com um pãozinho qualquer  e
degustarei   a iguaria acompanhado de uma Coca na falta de uma  ideia
melhor.
Amanhã volto a sentar nesta mesma mesa em frente ao meu PC.
E a vida segue....
Aqui, dentro de casa  continua  frio.
Lá fora sol intenso.



sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A PAIXAO ABSTRATA 01 08 2016

                  
As noites   em que o céu está límpido e  sem nuvens são as 

minhas preferidas.

Saio sempre nessas ocasiões   para  encontrar-me com ela.

Temos algo em comum.

Ela não gosta de sair quando chove, nem eu.

Entretanto,    ficamos  à  vontade  em noites de verão.

Quando a natureza  permite contemplarmo-nos.

Olhos no olhos ,  envolvidos em ambiente de extrema  paixão.

Amor e sentimento pleno de   felicidade.

Como é bom   senti-la perto de mim.

Que contraste.

Embora estejamos longe um do outro.

Anos luz.......

É como se estivéssemos lado a lado.

O nome dela é Dalva.

Minha estrela favorita.

Morro de amores por ela.

Ela me anima e me ajuda a enfrentar um novo dia.

Quando o amanhã chegar.
 


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

A RESTAURAÇÃO 07 01 2016


 PRIMEIRO ATO


O poeta é maneta.

Só tem a direita.

E ainda toca corneta.

No quartel da ilusão.


Uma vez convidado.

Para evento marcado.

Em sua homenagem.

Adentra o salão.

Onde uma multidão.

O aguarda de pé.

Recebendo-o com pompa.

E satisfação.


Eis que,  de  repente.

Um apressado garçom.

Desastrado que era.

Derruba o poeta.

Que se estatela no chão.

O poeta então.

Cai de mau jeito.

Quebrando a outra mão.

A única que tem.

O poeta geme de dor.

Socorrido de pronto.

É  levado pra cura.

No hospital da cidade.
          

SEGUNDO ATO


Dois dias se passam.

E o poeta já em casa.

Recuperado mas triste.

Causa aflição.

A parentada geral.

Que procura solução.

Para que o poeta.

Continue   a profissão.

Que ama demais.

É  tudo o que faz!



Um irmão sugere.

A contratação.

De um especialista.

Ou mesmo   um alquimista.

Para ajuda-lo.

Em suas escritas.

E contratam um escriba.


Acreditam que com essa medida.

O  poeta não se sentirá.

Privado da escrita.

Poeta frustrado.

Sem seu ganha pão.

É poeta abatido.

Fica em solidão.

Não quer o poeta.

Se entregar ao vício.

privar-se do oficio.

       

FINAL


Dois anos se passam.

 São lançados 10 livros.

Do poeta em questão.

Obras robustas.

Grande aceitação.

Graças    à ideia do irmão.

Poeta   salvo.

É poeta vivo.

Restaurado e presente.